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Sempre na rua

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Desde que comecei a trabalhar com arte, fiz todo esforço possível para colocar meu trabalho nas mãos das pessoas através da rua, seja na literatura ou nas artes visuais. Pois, sempre tive a visão de que a arte e o artista precisam estar o mais perto possível do povo. É uma opinião profissional. No início, estava por mim mesmo. Depois, com o passar dos anos, trabalhei em muitos lugares e com muitas pessoas. Sempre dei meu sangue pelo todo. Porém, de tanto somar em grupo, chegou um momento, em que optei por retornar ao início de tudo e fazer meu trabalho de maneira solo. Quero aproveitar o tempo que me resta com liberdade. Acho que todos temos necessidades e compromissos. E precisamos equilibrar uma coisa com a outra. Não é fácil. Se a gente não lembrar da gente, como vamos contribuir com o coletivo? Trabalhar no mercado independente é uma escolha para que eu possa escolher. Como sempre digo: não penso em guerra, penso em servir, em ser útil. O artista está para o povo, o produtor ...

Ando aproveitando os momentos da vida

Um dia me dei conta de que minha maior luta era não deixar que me arrastassem para um caos que não me pertencia. Em minha visão, o grau de manipulação cresceu substancialmente nos últimos anos. Por isso procuro reservar um tempo para contemplar como alternativa para me desintoxicar e também tento manter uma jornada de trabalho regular. Na maior parte do tempo em que me percebo inserido em muitos ambientes me sinto literalmente “boiando”, como se dizia antigamente. Tento concatenar uma coisa com outra e não consigo estabelecer relação alguma entre boa parte de meu entorno e meu íntimo. Então eu penso, deve ser mais uma luta ilusória. Cuidar da própria vida também é cuidar do nosso redor. Sempre que vou até a praça mostrar meu trabalho ou sento para escrever tenho a sensação de que estou consciente. Acho que a consciência é algo que liberta. Creio que nossas aspirações são um ponto muito importante em nossa vida. Entendo todo mecanismo que existe em minha volta. Contudo, ao mesmo t...

Existe um desespero evidente

Chamar atenção é a cultura do momento. Muita gente se perde enquanto tenta angariar popularidade. Antigamente, costumava escrever histórias em canais de comunicação em que o texto e a reflexão não eram a prioridade. Levei um certo tempo para alcançar que estava deslocado e aceitar que frequentava o espaço errado. E durante muitos dias de minha vida fiquei sem entender algumas reações em minha volta. Embora formado em comunicação social sempre achei que os textos e os contextos eram autoexplicativos. Porém, me enganei. E quando me dei conta disso comecei a pensar em todos os dados que tinha enquanto editor de livros. Lá pelas tantas tive de dar o braço a torcer e entendi que não temos 5% de pessoas capazes de identificar o que é ficção e o que é realidade. Claro que um país que lê tão pouco não está preparado para debater e entender muita coisa. Contudo, a partir do momento em que parti para publicações manuais e passei a veicular minhas obras no meu tapetão de andarilho tudo mudou. Fiq...