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Passei na pastelaria e chamei um café preto para acompanhar

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O cara atrás do balcão embrulhou o pastel para levar, como se diz por aqui. Saí em um passo muito mais do que compassado. Sentia que ouvia meu coração bater sempre que tocava o pé na calçada. Minha mochila estava pesada, recheada de arte. Enquanto caminhava, o sol quente e o vento morno trombavam com minha face. Pensei, vai ser um dia legal. O céu estava azul de anil e minha intuição era positiva. Sentei no banco e deixei a mochila de lado. Abri o embrulho. A primeira mordida foi bacana. Gostei, pensei. Bebi um gole de café e me senti lisonjeado. Afinal de contas, em meio a tanta fome, o divino me abençoava. Obrigado, pensei. Logo que acabei de saciar o estômago saquei a tralha para cima do banco. Desenrolei a cordinha. Catei os prendedores. Escolhi as artes e em poucos minutos o varal estava estendido. Sentei no banco e empunhei um palheiro (cigarro feito manualmente com fumo picado, esse que vendem em mercadinhos de bairro). A primeira baforada misturou com o gosto do café preto. Fiq...

Olhei pela janela e senti o mormaço que invadia o ambiente

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O dia era mais quente do que o normal. Fevereiro dava mostras de que o sol podia fritar qualquer coisa. Até miolos. Então o meu senso de felino se manifestou e tive a impressão de que deveria fazer o mangueio com inteligência. Catei uma dúzia de livros de bolso e soquei na mochila. Conferi as tralhas e vi que estava tudo preparado. Saí fumegando ao tempo em que sentia o calor que subia do asfalto. Acho que essa porra vai derreter, pensei, imaginando uma gelatina pegando em meus pés. Andei até a Primeiro de Maio, sentei no banco, descansei alguns segundos até que o suor secasse em minha pele e grudasse a camiseta em meu corpo. Bebi um gole de água e rapidinho estava com o varal esticado. Contei as peças e tinha um bom volume, mais de 40. Saquei um livro como se fosse um 38 e comecei a ler. Não demorou muito e alguém parou, você vem sempre aqui, né?!, disse, em um misto de pergunta e afirmação. Aham, venho sim, respondi. Gosto do seu trampo, falou. Vi que era um moleque da baixada da Gló...