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Aquarela

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Tudo tem seu tempo. E criar demora. A peça precisa maturar na cabeça e depois no coração. A cor leva um período para secar. E não importa a urgência do mundo. Nem tudo se pode mudar ou controlar. Procuro pensar no que está ao meu alcance e não me invocar com o que não está. Vou juntando os traços, as cores, os sentimentos, as sensações e as informações enquanto componho. Fumo um palheiro, bebo um café e dou tempo ao tempo. Tento estar presente de corpo e alma durante o processo inteiro. A arte precisa de um tanto de entrega. Gosto disso. Acho que lapida minha alma. E ao tempo em que converso com os instantes nem sempre consigo correr como muitos poderiam projetar. A velocidade da luz é o instante do momento. Porém, não tenho uma nave com tamanho desempenho. E aos poucos fui aprendendo a conviver comigo mesmo. Com meu jeito, meu modo, meu tempo. Por isso passei a semana na base, ao pé do muro aqui de casa (tinha de compor a peça). Abro a porta da garagem e esparramo os trampos pel...

Tem muita gente mudando de vida

É um tempo de renovação. Minha percepção se justifica com base no que vejo e ouço dentro e fora da internet. Escuto pessoas falando em levar uma vida minimalista; em viver longe de ambientes tóxicos; vejo gente se interessando pelo anonimato que cabe aos atores sociais que escolhem conscientemente a realidade como sendo o palco para suas vivências e memórias. Percebo a necessidade individual e coletiva de conectar-se com o que é organicamente vivo. Menos ganância; mais afeto; e o desejo genuíno de exercer sua individualidade coletivamente. Acho que muitos estão dispostos a tornarem-se seres humanos reais ao invés de um simples avatar que vive do impalpável e de um sucesso que não se materializa em necessidades satisfeitas no mundo real. Creio que nunca existiu tantos mensageiros interessados em contribuir para uma sociedade mais humana e mais justa. E, como muitos deles dizem: estamos evoluindo. Acho que a mensagem que chega aos nossos ouvidos é a ideia de que nada é estagnado e qu...

Passei um mês em meio à natureza

Embrenhei-me em uma ilha de mata ao pé de um riacho. Fiquei lá, na paz, olhando o horizonte e o céu, as estrelas, a lua, as borboletas, os pássaros e as coisas mais simples da vida. Sem chateações, sem internet, sem linha telefônica, sem horários definidos para comer ou dormir. Sem me preocupar com dinheiro. É uma oportunidade que se desvenda em minha vida há algum tempo e que faz parte de um projeto que envolve a formação de uma agrofloresta. Estou juntando tudo que há de bom na vida. Instalei meu minhocário em tal espaço e semeei todo tipo de semente frutífera nativa da minha região pelo lugar e confio que o tempo dará conta de tudo. Quero implementar uma horta gigantesca e viver com um pouco mais de liberdade e sossego a cada dia. O mundo moderno não me atrai. Já tem um tempo que passo a maior parte de meus dias envolvido neste projeto que trato como sendo minha aposentadoria e começo a vê-lo tomar a forma que gostaria que tivesse quando o idealizei ainda nos meus tempos de universi...