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Mostrando postagens com o rótulo Arte

Chuvarada

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Passei a semana na rua. O sol estava forte e o vento gelado. Olhava para o céu de anil que se mostrava e achava que não seria um sábado chuvoso. Tinha esperança de expor algumas peças novas. Mas, a chuva voltou. Aliás, a chuva tem se tornado uma companhia assídua nos últimos tempos. Chove desde a madrugada. E isso mostra que a danada vai se estender. E quando o sol voltar, terei muitas novidades para mostrar. Porém, enquanto o tempo não muda, vou aproveitar para dormir e ouvir o que meu coração tem a dizer. É aquela coisa, tudo que tenho em meu peito, explode na minha mão.

Sempre na rua

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Desde que comecei a trabalhar com arte, fiz todo esforço possível para colocar meu trabalho nas mãos das pessoas através da rua, seja na literatura ou nas artes visuais. Pois, sempre tive a visão de que a arte e o artista precisam estar o mais perto possível do povo. É uma opinião profissional. No início, estava por mim mesmo. Depois, com o passar dos anos, trabalhei em muitos lugares e com muitas pessoas. Sempre dei meu sangue pelo todo. Porém, de tanto somar em grupo, chegou um momento, em que optei por retornar ao início de tudo e fazer meu trabalho de maneira solo. Quero aproveitar o tempo que me resta com liberdade. Acho que todos temos necessidades e compromissos. E precisamos equilibrar uma coisa com a outra. Não é fácil. Se a gente não lembrar da gente, como vamos contribuir com o coletivo? Trabalhar no mercado independente é uma escolha para que eu possa escolher. Como sempre digo: não penso em guerra, penso em servir, em ser útil. O artista está para o povo, o produtor ...

Aquarela

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Tudo tem seu tempo. E criar demora. A peça precisa maturar na cabeça e depois no coração. A cor leva um período para secar. E não importa a urgência do mundo. Nem tudo se pode mudar ou controlar. Procuro pensar no que está ao meu alcance e não me invocar com o que não está. Vou juntando os traços, as cores, os sentimentos, as sensações e as informações enquanto componho. Fumo um palheiro, bebo um café e dou tempo ao tempo. Tento estar presente de corpo e alma durante o processo inteiro. A arte precisa de um tanto de entrega. Gosto disso. Acho que lapida minha alma. E ao tempo em que converso com os instantes nem sempre consigo correr como muitos poderiam projetar. A velocidade da luz é o instante do momento. Porém, não tenho uma nave com tamanho desempenho. E aos poucos fui aprendendo a conviver comigo mesmo. Com meu jeito, meu modo, meu tempo. Por isso passei a semana na base, ao pé do muro aqui de casa (tinha de compor a peça). Abro a porta da garagem e esparramo os trampos pel...

Ando aproveitando os momentos da vida

Um dia me dei conta de que minha maior luta era não deixar que me arrastassem para um caos que não me pertencia. Em minha visão, o grau de manipulação cresceu substancialmente nos últimos anos. Por isso procuro reservar um tempo para contemplar como alternativa para me desintoxicar e também tento manter uma jornada de trabalho regular. Na maior parte do tempo em que me percebo inserido em muitos ambientes me sinto literalmente “boiando”, como se dizia antigamente. Tento concatenar uma coisa com outra e não consigo estabelecer relação alguma entre boa parte de meu entorno e meu íntimo. Então eu penso, deve ser mais uma luta ilusória. Cuidar da própria vida também é cuidar do nosso redor. Sempre que vou até a praça mostrar meu trabalho ou sento para escrever tenho a sensação de que estou consciente. Acho que a consciência é algo que liberta. Creio que nossas aspirações são um ponto muito importante em nossa vida. Entendo todo mecanismo que existe em minha volta. Contudo, ao mesmo t...

Chuva na vidraça

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  Acordei cedo. Antes das 6h. coloquei a água esquentar para fazer um café. Abri a janela basculante e vi a chuva. Mais um dia, pensei. É um ano de muita, mas muita chuva mesmo. Enquanto bebia meu café e fumava meu cigarro de palha, fiquei pensando no que fazer. Catei um pedaço de madeira e coloquei o pirógrafo para esquentar. Os pingos de chuva batiam na vidraça e salpicavam o chão da cozinha. Tive de fechar. Sentei na mesa. Abri a pasta de desenhos para escolher um deles. Achei: é este que vou fazer, pensei. Depositei meus olhos sobre a peça e esqueci da vida. Devagar, fui compondo. Aos poucos. Com paciência. E quando me dei conta estava pronto. Andei até o fogão e coloquei mais uma água para esquentar. Só que desta vez, fiz um chimarrão. Em dias frios e chuvosos aquece o peito, a garganta e o coração. Acendi mais um cigarro de palha e fiquei pensando, agora, tenho de ouvir o barulho da chuva e esperar pela volta do sol.

Arte na rua

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A arte de florescer

Desde o final de semana passado que não para de chover por aqui. Acabei ficando em casa todos estes dias e me dediquei ao trabalho. Recuperei alguns livros e terminei uma pirogravura para entregar. Quero voltar para as ruas tão logo a chuva passe. Mas, enquanto o tempo passa, também aproveito meu tempo para beber ideias alheias. Hoje, liguei o computador para navegar um pouco. E vagando de um endereço ao outro percebi que o artista de rua tem muito a dizer. Passei em um blog de um cara que admiro e degustei um tanto de seus textos. Enquanto observava suas colocações notava que o mundo é diferente em paisagem, mas o fio da meada é o mesmo. Pelas ruas e praças encontrei o que me faltava. Queria vivência e experiência. A arte é o que uso para viver e trocar ideias com as pessoas. Falando com elas, vejo como valores e demandas e comportamentos são diferentes quando comparamos indivíduos lotados em grupos sociais distintos. Quando leio e fico pensando sobre os conteúdos que acesso, tenho a ...

Das brevidades da vida

Atenho-me ao amor pela arte. Faço dos instantes meus momentos. Lido com cada segundo com o mesmo destemor. Acho que tenho me fortalecido em boas doses durante a vida. Blindar a mente para salvar o corpo e o espírito da melhor maneira possível tem sido uma de minhas ocupações a partir do momento em que entendi que para tudo existe um tempo. Em poucos dias terei mais peças e voltarei para as praças. Creio que o sol invernal poderá aquecer meu corpo durante tal empreitada. A vida é esta: produzir e vender para que aos poucos siga meu caminho com tudo que a vida pode me oferecer conforme escolhi.

Artista de rua

Nos últimos tempos tenho tido boas experiências com o Mammalia. A ideia de levar livros, pirogravuras e quadros com desenhos até as praças da cidade tem me rendido bons papos e muitos contatos. O que percebo é que a população gosta deste tipo de intervenção. Muita gente quer saber qual é o meu objetivo com tal atitude. Então digo que pretendo expor meu trampo e trocar ideias com as pessoas e percebo que seus rostos demonstram expressões de quem fica confortável com minha resposta. Alguns passam pela rua e dizem, “tá bonito de ver, Cavanhas”, ao tempo em que deixam um sinal de positivo com o braço esticado em direção ao alto. Eu agradeço e retorno com o mesmo gesto e um sorriso. Acho que as pessoas se surpreendem com minha atitude. Localmente, raramente encontro outros artistas fazendo o mesmo. E pelo que as pessoas interessadas comentam comigo entendo que na opinião da maioria eu deveria expor tais trabalhos em galerias e grandes eventos literários. Mas aí explico que na minha conc...

Voltei a pirogravar

Estou feliz com minha jornada. O Mammalia possibilitou que a arte visual voltasse para minha vida. Há um bom tempo, ganhei uma missão de um sábio: controlar o ar, a terra, a água e o fogo. Estou no último estágio, desenvolvendo a habilidade de utilizar a arte do fogo. Tenho mais de 20 peças nos mais diferentes tamanhos. Uma mistura de palavras com desenhos. Embora, já tivesse pirogravado há muito tempo, estava um pouco enferrujado. Mas, acho que a arte de pirogravar se parece com a arte de andar de bicicleta, a gente não esquece, apenas aprimora nossa habilidade. E tudo compreende um projeto de alquimia. Um minhocário, um viveiro, um sebo e a arte visual na madeira. O meu objetivo é que a natureza e a sabedoria adquirida no cotidiano estabilizem minha mente, meu corpo, meu espírito, minha vida, meu pano, minha lona. Posso dizer que me sinto satisfeito, ao menos no momento. Quero que o projeto evolua, assim como meu ser evolua. Enfim, creio que consegui desenvolver um novo caminho. E me...