Chuva na vidraça
Acordei
cedo. Antes das 6h. coloquei a água esquentar para fazer um café. Abri a janela
basculante e vi a chuva. Mais um dia, pensei. É um ano de muita, mas muita
chuva mesmo. Enquanto bebia meu café e fumava meu cigarro de palha, fiquei
pensando no que fazer. Catei um pedaço de madeira e coloquei o pirógrafo para
esquentar.
Os
pingos de chuva batiam na vidraça e salpicavam o chão da cozinha. Tive de
fechar. Sentei na mesa. Abri a pasta de desenhos para escolher um deles. Achei:
é este que vou fazer, pensei. Depositei meus olhos sobre a peça e esqueci da
vida. Devagar, fui compondo. Aos poucos. Com paciência. E quando me dei conta
estava pronto.
Andei até o fogão e coloquei mais uma água para esquentar. Só que desta vez, fiz um chimarrão. Em dias frios e chuvosos aquece o peito, a garganta e o coração. Acendi mais um cigarro de palha e fiquei pensando, agora, tenho de ouvir o barulho da chuva e esperar pela volta do sol.