Passei na pastelaria e chamei um café preto para acompanhar
O cara atrás do balcão embrulhou o pastel para levar, como se diz por aqui. Saí em um passo muito mais do que compassado. Sentia que ouvia meu coração bater sempre que tocava o pé na calçada. Minha mochila estava pesada, recheada de arte. Enquanto caminhava, o sol quente e o vento morno trombavam com minha face. Pensei, vai ser um dia legal. O céu estava azul de anil e minha intuição era positiva. Sentei no banco e deixei a mochila de lado. Abri o embrulho. A primeira mordida foi bacana. Gostei, pensei. Bebi um gole de café e me senti lisonjeado. Afinal de contas, em meio a tanta fome, o divino me abençoava. Obrigado, pensei. Logo que acabei de saciar o estômago saquei a tralha para cima do banco. Desenrolei a cordinha. Catei os prendedores. Escolhi as artes e em poucos minutos o varal estava estendido. Sentei no banco e empunhei um palheiro (cigarro feito manualmente com fumo picado, esse que vendem em mercadinhos de bairro). A primeira baforada misturou com o gosto do café preto. Fiq...