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Ando aproveitando os momentos da vida

Um dia, me dei conta de que minha maior luta era não deixar que me arrastassem para um caos que não me pertencia. Em minha visão, o grau de manipulação cresceu substancialmente nos últimos anos. Por isso, procuro reservar um tempo para contemplar, como alternativa para me desintoxicar e, também, tento manter uma jornada de trabalho regular. Na maior parte do tempo, em que me percebo inserido em muitos ambientes, me sinto literalmente, “boiando”, como se dizia antigamente. Tento concatenar uma coisa com outra e não consigo estabelecer relação alguma entre boa parte de meu entorno e meu íntimo. Então eu penso, deve ser mais uma luta ilusória. Cuidar da própria vida também é cuidar do nosso redor. Sempre que vou até a praça mostrar meu trabalho ou sento para escrever tenho a sensação de que estou consciente. Acho que a consciência é algo que liberta. Creio que nossas aspirações são um ponto muito importante em nossa vida. Entendo todo mecanismo que existe em minha volta. Contudo, ao...

Arte na rua

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Chuva na vidraça

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  Acordei cedo. Antes das 6h. coloquei a água esquentar para fazer um café. Abri a janela basculante e vi a chuva. Mais um dia, pensei. É um ano de muita, mas muita chuva mesmo. Enquanto bebia meu café e fumava meu cigarro de palha, fiquei pensando no que fazer. Catei um pedaço de madeira e coloquei o pirógrafo para esquentar. Os pingos de chuva batiam na vidraça e salpicavam o chão da cozinha. Tive de fechar. Sentei na mesa. Abri a pasta de desenhos para escolher um deles. Achei: é este que vou fazer, pensei. Depositei meus olhos sobre a peça e esqueci da vida. Devagar, fui compondo. Aos poucos. Com paciência. E quando me dei conta estava pronto. Andei até o fogão e coloquei mais uma água para esquentar. Só que desta vez, fiz um chimarrão. Em dias frios e chuvosos aquece o peito, a garganta e o coração. Acendi mais um cigarro de palha e fiquei pensando, agora, tenho de ouvir o barulho da chuva e esperar pela volta do sol.

Muro do Mammalia

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Arte na rua

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Passei na pastelaria e chamei um café preto para acompanhar

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O cara atrás do balcão embrulhou o pastel para levar, como se diz por aqui. Saí em um passo muito mais do que compassado. Sentia que ouvia meu coração bater sempre que tocava o pé na calçada. Minha mochila estava pesada, recheada de arte. Enquanto caminhava, o sol quente e o vento morno trombavam com minha face. Pensei, vai ser um dia legal. O céu estava azul de anil e minha intuição era positiva. Sentei no banco e deixei a mochila de lado. Abri o embrulho. A primeira mordida foi bacana. Gostei, pensei. Bebi um gole de café e me senti lisonjeado. Afinal de contas, em meio a tanta fome, o divino me abençoava. Obrigado, pensei. Logo que acabei de saciar o estômago saquei a tralha para cima do banco. Desenrolei a cordinha. Catei os prendedores. Escolhi as artes e em poucos minutos o varal estava estendido. Sentei no banco e empunhei um palheiro (cigarro feito manualmente com fumo picado, esse que vendem em mercadinhos de bairro). A primeira baforada misturou com o gosto do café preto. Fiq...

Arte na rua

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