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Chuva na vidraça

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  Acordei cedo. Antes das 6h. coloquei a água esquentar para fazer um café. Abri a janela basculante e vi a chuva. Mais um dia, pensei. É um ano de muita, mas muita chuva mesmo. Enquanto bebia meu café e fumava meu cigarro de palha, fiquei pensando no que fazer. Catei um pedaço de madeira e coloquei o pirógrafo para esquentar. Os pingos de chuva batiam na vidraça e salpicavam o chão da cozinha. Tive de fechar. Sentei na mesa. Abri a pasta de desenhos para escolher um deles. Achei: é este que vou fazer, pensei. Depositei meus olhos sobre a peça e esqueci da vida. Devagar, fui compondo. Aos poucos. Com paciência. E quando me dei conta estava pronto. Andei até o fogão e coloquei mais uma água para esquentar. Só que desta vez, fiz um chimarrão. Em dias frios e chuvosos aquece o peito, a garganta e o coração. Acendi mais um cigarro de palha e fiquei pensando, agora, tenho de ouvir o barulho da chuva e esperar pela volta do sol.

Muro do Mammalia

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Arte na rua

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Passei na pastelaria e chamei um café preto para acompanhar

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O cara atrás do balcão embrulhou o pastel para levar, como se diz por aqui. Saí em um passo muito mais do que compassado. Sentia que ouvia meu coração bater sempre que tocava o pé na calçada. Minha mochila estava pesada, recheada de arte. Enquanto caminhava, o sol quente e o vento morno trombavam com minha face. Pensei, vai ser um dia legal. O céu estava azul de anil e minha intuição era positiva. Sentei no banco e deixei a mochila de lado. Abri o embrulho. A primeira mordida foi bacana. Gostei, pensei. Bebi um gole de café e me senti lisonjeado. Afinal de contas, em meio a tanta fome, o divino me abençoava. Obrigado, pensei. Logo que acabei de saciar o estômago saquei a tralha para cima do banco. Desenrolei a cordinha. Catei os prendedores. Escolhi as artes e em poucos minutos o varal estava estendido. Sentei no banco e empunhei um palheiro (cigarro feito manualmente com fumo picado, esse que vendem em mercadinhos de bairro). A primeira baforada misturou com o gosto do café preto. Fiq...

Arte na rua

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A arte de florescer

Desde o final de semana passado que não para de chover por aqui. Acabei ficando em casa todos estes dias e me dediquei ao trabalho. Recuperei alguns livros e terminei uma pirogravura para entregar. Quero voltar para as ruas tão logo a chuva passe. Mas, enquanto o tempo passa, também aproveito meu tempo para beber ideias alheias. Hoje, liguei o computador para navegar um pouco. E vagando de um endereço ao outro percebi que o artista de rua tem muito a dizer. Passei em um blog de um cara que admiro e degustei um tanto de seus textos. Enquanto observava suas colocações notava que o mundo é diferente em paisagem, mas o fio da meada é o mesmo. Pelas ruas e praças encontrei o que me faltava. Queria vivência e experiência. A arte é o que uso para viver e trocar ideias com as pessoas. Falando com elas, vejo como valores e demandas e comportamentos são diferentes quando comparamos indivíduos lotados em grupos sociais distintos. Quando leio e fico pensando sobre os conteúdos que acesso, tenho a ...

Tenho andado como quem tenta imitar um monge

Persigo um passo de cada vez. Mantenho meu pensamento desapegado das ilusões que um dia ouvi. Faço dos meus dias uma promessa de resistência. Não invento força para negar o que percebo e sigo como quem deixa que tudo vá e se manifeste. Aprendi que não existe quem não tenha provado um pouco de abandono, de tristeza e dor, ao tempo em que sobrevive. Estou seguindo uma convicção que me diz o seguinte: desapegue e não pragueje, apenas caminhe. É uma atitude libertadora e poderosa, aceitar o que tenho de acolher e fazer o que preciso bancar. Sinto como se lambesse minhas feridas sem chorar. Tenho a impressão de que muita coisa que apanhou-me desprevenido tinha alicerce em uma visão fiel e extremamente unilateral. Um erro meu, pois, no fundo, já sabia que havia um padrão. Sim, eu me enganei. E me iludi porque escolhi. Contudo, observar os monges, permitiu que eu pudesse renascer, ainda bem.