Sempre na rua
Desde
que comecei a trabalhar com arte, fiz todo esforço possível para colocar meu
trabalho nas mãos das pessoas através da rua, seja na literatura ou nas artes
visuais. Pois, sempre tive a visão de que a arte e o artista precisam estar o
mais perto possível do povo. É uma opinião profissional.
No
início, estava por mim mesmo. Depois, com o passar dos anos, trabalhei em
muitos lugares e com muitas pessoas. Sempre dei meu sangue pelo todo. Porém, de
tanto somar em grupo, chegou um momento, em que optei por retornar ao
início de tudo e fazer meu trabalho de maneira solo.
Quero
aproveitar o tempo que me resta com liberdade. Acho que todos temos necessidades
e compromissos. E precisamos equilibrar uma coisa com a outra. Não é fácil. Se a
gente não lembrar da gente, como vamos contribuir com o coletivo? Trabalhar no
mercado independente é uma escolha para que eu possa escolher. Como sempre digo:
não penso em guerra, penso em servir, em ser útil.
O artista
está para o povo, o produtor para o artista. E na qualidade de artista, penso
no todo e na comunidade. Porém, também, tenho de considerar minhas necessidades
profissionais se quero desenvolver meu trabalho dentro dos meus objetivos. Escolher,
não é ampliar. É focar.
Produzir
literatura e arte visual de maneira independente e sem equipe, depende de
muitas variáveis ligadas ao clima de onde vivo e a estrutura da qual disponho. Aproveito
o clima conforme minha escala de produção e vice-versa. A natureza é suprema. E
o que estou conseguindo fazer é acomodar meu cotidiano profissional e pessoal.
Sempre que tomo meu varal em mãos, tenho a prova de que estou envolvido com o tamanho da minha cordinha. E criar um ponto de mangueio no muro de casa para combinar com as praças foi a melhor alternativa que encontrei para seguir com meu trabalho, colocar minha micha no bolso e viver em paz com minhas necessidades, escolhas e objetivos.