A vida no estúdio
Ando
em busca da batida perfeita. Tento me equilibrar entre os trabalhos aqui no
Mammalia e o descanso. Tenho em mente que não posso fazer mais do que o tempo
permite. Porém, também sei que não devo realizar menos do que alcanço. Portanto,
me sinto tocando a bateria de um blues ao tempo em que espero pelo momento de
lascar um punk e vislumbro um resultado final com a cara do Pink Floyd – minha banda
favorita. Acho que o ritmo está em alta em minha vida profissional. E, por
isso, tomo a liberdade de utilizar a música como uma metáfora no intuito de me
explicar com maior consistência e objetividade.
Acho
que já identifiquei um método legal para manter as produções em andamento com
profissionalismo. O trabalho aqui no estúdio é todo manual. Acredito que tudo
que é manual é muito mais artístico. Uso papel e madeira. E, na maioria das
vezes, trabalho com giz ou lápis de cor. Contudo, faço uso da aquarela nas duas
oportunidades. É a minha assinatura. Como estruturei minha casa e minha vida de
acordo com as minhas necessidades artísticas estou satisfeito com o atual
momento. Afinal de contas, percebo que estou construindo um universo com o
trabalho desenvolvido.
Gosto
de criar minhas peças com tempo e tranquilidade. Em meu modo de trabalhar a
criação de um conceito e um planejamento são importantíssimos. Justifico tal
pensamento esclarecendo que a singularidade é um ponto que agrega um valor
imensurável a qualquer criação. Acho que é em tal instante que um artista consegue
atribuir uma perspectiva relevante para seu trabalho.
Em
minha visão, é necessário viver e ser feliz ao mesmo tempo em que atuo com o
máximo de profissionalismo em meu trabalho. Porque a construção da linguagem é
crucial no momento de estabelecer a conversação entre as peças e produzir um
universo valoroso. Por isso, transito entre rostos, plantas, formas abstratas e
paisagens. Tento exprimir o mundo que vejo através de uma mensagem que
ultrapassa o realismo. O que busco, não é a fiel representação do mundo em que
vivo. Porém, é dele que sugo a inspiração para a construção de um universo
singular através do trabalho feito aqui no estúdio.
E, sempre que tenho a oportunidade, coloco a todos que aqui no estúdio não é um lugar para se buscar algo realista. Gosto de surfar outras vertentes. E falo abertamente sobre o meu apreço pelo fabuloso. Gosto do surrealismo do mesmo modo que sou louco pelo Pink Floyd. Quando escolhi a arte como trabalho, o principal motivo foi a ideia de ultrapassar qualquer barreira e valorizar o que sonhamos. Aquela visão para além do senso comum. Quero construir um universo singular em que o limite não é a busca e tampouco o fim. Pois, o que procuro é sempre a fantasia, o ilusório, o novo, e tudo que transcende a formalidade no momento de compor.
