Prólogo - Fio da Navalha
Fio
da Navalha é uma homenagem a todos os autores, artistas visuais e editores
independentes do Brasil e do Mundo. É um tapa nas costas. Um abraço. Um sorriso
e um tanto de reconhecimento para quem acorda todos os dias com a mesma
motivação: escrever, dar forma aos sentimentos, desenhar, pintar e publicar. Esta
é a minha política. Este: é o meu Partido. É como sempre digo, “os punks não
morrem, porque nossas ideias já foram imortalizadas”.
Tudo
começa com um garoto que nasceu em uma pequena cidade de 2.000 habitantes nos
confins do Rio Grande do Sul – Brasil em 1978. Vivendo ao lado das matas,
colhendo frutas das árvores mais altas, galopando no lombo dos cavalos mais
ágeis, pescando e nadando em rios enormes e profundos. Sim, amando os animais. A
natureza. A arte!
Sem
equipamentos, sem grandes tecnologias, a vida era movida pela adaptação e a
superação. Um tempo, em que para comprar um livro do grande Charles Bukowski era
preciso percorrer 80km até Passo Fundo – RS para ter o prazer de ler um trecho
como este, “há um pássaro em meu peito, mas eu só o deixo sair à noite, quando
todos estão dormindo”.
Sem guilhotina, sem internet (nem se falava nisso ainda), sem nada, o jeito era usar uma régua feita com um sarrafo de madeira, igual a estas que se encontra, ainda hoje, em lojas que vendem tecidos em metro para riscar e cortar o pano. É como sempre digo, “o meu pano é um lugar sagrado”. Fui eu quem cortou o meu primeiro pano para expor meu trampo de pirogravura em todo e qualquer confim e dizer, “é arte”. E, também, fui eu quem cortou o meu primeiro zine, que fora feito manualmente, com o facão, é claro.
E lendo
daqui e dali conheci muitos clássicos. Li todo tipo de gênero. Viciei em Edgar Allan
Poe e Stephen King. Me esbaldei em Arthur Rimbaud. Pirei com William S.
Burroughs e tantos outros que nem tenho como nomear. Sim, eu fiquei louco e
peguei a estrada com uma lona nas costas e percorri o Brasil vendendo arte
independente. Eu me tornei o Afobório. Um andarilho. Um punk. Um híbrido.
Enfim,
a publicação Fio da Navalha é uma iniciativa independente que pretende publicar contos
policiais e comercializá-los nas ruas da cidade de Carazinho - RS. Tenham a
mais absoluta certeza de que o varal estendido pelo Mammalia estará cheio de
literatura daqui para frente. E no mais, como sempre digo, “quando estou na
rua, eu me sinto em casa”.
