Tem novidade no varal
Acordei
cedo. A temperatura era de 7º. Fiquei olhando para fora através da janela da
cozinha. Vi que tinha vento. Porém, o sol dava sinal de que iria aparecer. Ao mesmo
tempo, olhava para o horizonte e percebia que havia possibilidade de chuva.
Tenho
de me organizar e estender o varal, pensei. Queria expor algumas artes novas,
mesmo que fosse por pouco tempo. Depois que as peças estão prontas, gosto de colocá-las
na rua com a maior brevidade possível. É uma espécie de consagração. Ao menos é
como vejo.
Preparei
uma xícara de café, bolei um cigarro de palha e sentei em minha poltrona. Logo depois,
em pouco tempo, reuni as artes. Catei o varal e uma cadeira. Quando abri a
porta da garagem senti o vento. Não está tão forte, pensei. Olhei para o lado e
decidi, acho que não chove até o final do dia, pensei. Em poucos minutos estava com
tudo no lugar.
Olhei
para o varal e senti um tanto de satisfação. Afinal de contas, conseguia ver
que não havia perdido tempo, pois as artes estavam na rua. É o que me realiza. O
que mais tem me dado paz é isso. Saber que não fico correndo atrás de algo que
não seja concreto. Acho importante ver o processo acontecer de maneira ágil e
sem problemas desnecessários.
O meu
varal me mostra todos os dias que desburocratizar a arte é algo eficiente e
poderoso quando se pensa em liberdade. Aquela sensação de impotência sumiu de
meu âmago desde que assumi a responsabilidade de fazer minha correria sozinho. Nos
últimos dias consegui produzir e veicular uma boa quantidade de peças.
Recebo as pessoas que demonstram interesse nas artes com simplicidade e percebo que isso faz toda diferença. O papo desenrola com naturalidade e conversamos a respeito de assuntos diversos. E quando alguém gosta de uma obra, a pessoa compra e pronto. É como costumo dizer, a ideia de fazer um varal, revolucionou a minha vida.
