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Imunização

a mente, o coração  e o espírito. a terra,  o ar  e o sol. a chuva,  as árvores  e o silêncio. o bater de asas do pássaro, o som do rio que corre e a cantiga das cigarras. a vida, o tempo  e o instante. os segundos, os minutos  e os dias.  o caminho,  a caminhada  e a imunização.

Poema psicodélico

eu vejo o relógio marcando o tempo.  o céu é azul. ando para o lado contrário da multidão. as árvores são enormes e, os caminhos, infinitos. aos poucos o espaço aumenta e a minha percepção é sensata. eu não sinto medo. estou relaxado. eu nunca pensei que o plano deles fosse tão absurdo. há um ponto de luz no topo da montanha. é tudo tão profundo e obsoleto. tudo parece perder a massa, a matéria. é possível viver um dia inteiro sorrindo. e o que sinto: é leveza e calmaria. tenho que dizer ao meu inconsciente presente: hoje, eu sei que nada foi em vão. e, finalmente, tenho uma sensação boa. a minha mente está em perfeita ordem e meu coração salvou-se intacto. é preciso escolher e seguir. é preciso fechar os olhos para ver e sentir.

Inteligência Artificial

inteligência artificial, dominando e consumindo tudo, escolhendo os novos padrões, pensando e influenciando todo mundo   inteligência artificial, insensível a qualquer um, vai engolindo e fodendo tudo   inteligência artificial, nada mais do que um robô roendo a nossa cabeça   inteligência artificial, sempre invicta e sem sentimentos   inteligência artificial, um sucesso absoluto, sempre machucando nossos corações, enquanto mostra mais um punhado de anúncios   inteligência artificial, um reflexo do absurdo   inteligência artificial, calculando emoções, através de números   inteligência artificial, reduzindo as pessoas ao seu próprio lucro   inteligência artificial, nada além de um robô, roendo e destruindo quase tudo

A paz e o clarão

com muito custo, sosseguei o peito e passei meu tempo lendo e relendo. anotando e refazendo. ponderei e senti. blindei minha carne e meu shi. e só então escolhi. tomei direção e caminho. não contei minha jornada, nem chamei gente para me seguir. não salvo e não condeno. não sou profeta. não sou psicanalista. eu quero mesmo: é ser alquimista. e como eremita, ouço suas vistas e me calo. eu não me abalo. não comparo e não debato. sim, eu nunca fiz um homem de barro. não sou tolo e nem sábio. sou pio e sabiá, aqui e acolá. sou vento. e sou vivendo. sou momento. sou paz e clarão.

Quando chega a hora de comer um bolinho com mel e esperar pela chuva

o vento assoviava e de longe eu via, que o tempo não brincava e levantava as nuvens. até redemoinho tinha, bem no meio da estrada, lá no cruzo das 4 bocas. eu não tinha outro escape e para me esconder da chuva, bati na porta do Vivente. o Vivente é boa gente e meu amigo em quantia. já de saída serviu um bom tanto de bolo frito para comer com mel e um verde bem cevado. e foi assim que passei, um dia inteiro, contando e ouvindo causos. pois é, a vida no cruzo das 4 bocas é bem mais vagarosa. e depois, bem como disse o Vivente: um condão de prosa é o melhor jeito de passar o tempo e esperar pela chuva.

O pastor de ovelhas

eu peço ao cão, chama-me para fora de minha tenda! quero luz e força, alegria e couraça. vou derrubar a tristeza e seguir minha caminhada. quero um banho de sol e um momento em meio a um campo de flores silvestres. quero poesia em meu dia e um tubo de força, para que o mal não me alcance, não me prenda e não me amedronte. eu peço ao cão, que me habita, para que me guie pela trilha da luz e mantenha minha fé em vigília.

Coração a mil

calma aí, doutor, cara feia na lomba é sinal de fome! é foda pensar, que essa situação, ainda, vai longe. o povo na pior e todo mundo de braço cruzado, cadê o Estado? que bagulho zoado! fala aí, doutor, cadê o Estado? por aqui ninguém viu, só ouviu o assovio. esconde aí, porque é som de bala. tiro de oitão e rajada de fuzil. coração a mil... a mil... a mil... a mil...