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Quando chega a hora de comer um bolinho com mel e esperar pela chuva

o vento assoviava e de longe eu via, que o tempo não brincava e levantava as nuvens. até redemoinho tinha, bem no meio da estrada, lá no cruzo das 4 bocas. eu não tinha outro escape e para me esconder da chuva, bati na porta do Vivente. o Vivente é boa gente e meu amigo em quantia. já de saída serviu um bom tanto de bolo frito para comer com mel e um verde bem cevado. e foi assim que passei, um dia inteiro, contando e ouvindo causos. pois é, a vida no cruzo das 4 bocas é bem mais vagarosa. e depois, bem como disse o Vivente: um condão de prosa é o melhor jeito de passar o tempo e esperar pela chuva.

O pastor de ovelhas

eu peço ao cão, chama-me para fora de minha tenda! quero luz e força, alegria e couraça. vou derrubar a tristeza e seguir minha caminhada. quero um banho de sol e um momento em meio a um campo de flores silvestres. quero poesia em meu dia e um tubo de força, para que o mal não me alcance, não me prenda e não me amedronte. eu peço ao cão, que me habita, para que me guie pela trilha da luz e mantenha minha fé em vigília.

Coração a mil

calma aí, doutor, cara feia na lomba é sinal de fome! é foda pensar, que essa situação, ainda, vai longe. o povo na pior e todo mundo de braço cruzado, cadê o Estado? que bagulho zoado! fala aí, doutor, cadê o Estado? por aqui ninguém viu, só ouviu o assovio. esconde aí, porque é som de bala. tiro de oitão e rajada de fuzil. coração a mil... a mil... a mil... a mil...

Amor é rap (Poesia de graça)

quando penso em amor eu nunca sei se o sonho era seu ou meu eu vejo o mundo mais colorido depois de um beijo seu escuto a batida do peito e ouço na lata um grande amor vale tudo mais que ouro e prata ando enrolado olhando para o céu eu vejo mel eu curto você e o Tim Maia pra dedéu é como eu digo, seu Manuel: de poesia eu não entendo nada e sinto muito eu sinto o sol e o calor sou feito de rima e alegria pois o homem que caminha também encontra flor o seu amor parece som de rap me chama para dançar poesia e me enlouquece

O cotovelo do Milo

Para que você compreenda este texto, Milo é um nome fictício que estou dando para um filósofo que se diz de esquerda, mas que certamente não é de esquerda, e que tem um canal no you tube. Alguns de seus seguidores o comparam ao Millôr Fernandes, com o objetivo de elogiar seus aforismos. Meu objetivo não é atacar o indivíduo, tampouco a esquerda, desejo apenas contrapor a postura de Milo. Tomo este cuidado porque tudo que motiva esta minha crônica e esta decisão tem relação com detalhes que no decorrer do texto tentarei elucidar com precisão. De uns tempos pra cá, eu que sou de esquerda e sempre serei, andei acompanhando mais de perto alguns canais no you tube que abordam como temática a política, até por conta da quarentena. Confesso que prefiro ler ao invés de assistir vídeos, mas dei um voto de confiança porque vi muitas pessoas elogiando o Milo, fiquei curioso e fui pesquisar. Vi muitos de seus vídeos e embora seja possível perceber que o canal possui muitos seguidores e que o M...

Uma crônica positiva

Quando a internet surgiu, todo mundo que queria publicar aumentou suas chances de fazê-lo. Autores passaram a escrever com outros autores em blogs e também em publicações independentes. Creio que a tecnologia forneceu ótimas ferramentas para tanto. Hoje eu leio gente que conheci há mais de uma década. Muitos me ajudaram a publicar e muitos outros dividiram publicações comigo. Eu acho isso muito legal, porque gera a abertura do mercado editorial. A literatura certamente é um aspecto que fomenta a cultura de um país e o leva para frente. Percebe-se que o mercado como um todo está mais aberto. Hoje, temos acesso a livro físico e e-book também. A onda do momento é cooperar ao invés de competir. Os resultados desta ótica refletem-se positivamente no mercado. Uma boa olhadela pela internet revela muita gente escrevendo bem. E quando olho para trás, sinto que muita coisa melhorou, embora este momento difícil pelo qual estamos passando enquanto brasileiros. Tenho uma visão positiva, quanto...

Eu e as máquinas

a máquina de moldar pensa que estou bravo, quando ouço Racionais, que levei um fora de meu amor, quando escuto algo mais sutil... que estou assaltando um banco, quando escrevo sobre bandidos e que estou me ferrando, quando digo: “que a vida é foda, dura e boa” enfim, não sei ao certo, que máquina é esta, que pensa, faz contas e códigos, mas que nada aprende sobre meu modo de sentir aliás, sendo honesto, boa mesmo: é a minha máquina de escrever, que me recebe, me ouve, me abraça e me salva todo dia, como nenhuma outra é capaz de fazer